EPISÓDIOS "XPTO"

Episódios do dia-a-dia; momentos "XPTO" do quotidiano; comentários a notícias...

Para chorar, rir, comentar, pensar ou apenas ler.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

"XPTO" de JANEIRO

Durante o mês de Janeiro escolhi alguns momentos "XPTO" deste nosso Portugal. Possivelmente, existiram muitos mais momentos e figuras "XPTO", mas um escolha implica sempre o detrimento de outros. Assim, aqui vão as minhas escolhas (sem ordem hierárquica) do mês de Janeiro:
(Estão todos convidados a votar. Lado direito do blog.)
SPORTING

# SPORTING - Até à chegada de Jesulado, o Sporting batia recordes negativos de toda a espécie, estava a um ponto da despromoção e as exibições eram verdadeiros momentos de desespero e de terror desportivo. Um Sporting "XPTO";

# GLÓRIA ARAÚJO - O momento "XPTO" desta senhora, para mim, não é o facto de ser deputada e ter sido apanhada a conduzir com álcool. O verdadeiro auge é a taxa de alcoolemia que tinha: 2,41 gr/l !!!
Um verdadeiro feito que deixa envergonhado qualquer veterano da Queima das Fitas de Coimbra ou jovem imberbe frequentador diário do Bairro Alto.
«« a notícia: Glória Araújo »»

# PÊPA XAVIER - Mais um caso, onde, o momento "XPTO", não foi o desejo supremo para 2013 de poder comprar uma mala Chanel e, com o próprio dinheiro!
O verdadeiro "XPTO" de Pêpa Xavier é a própria Pêpa Xavier; a figura em si, o timbre da voz, a entoação de cada frase, a futilidade geral que transmite, o que Pêpa representa...
«« o vídeo: Pêpa Xavier »»

# CARVALHO DA SILVA - Chamar "rei mago escurinho" ao representante do FMI em Portugal, o etíope, Abebe Selassie, já é motivo de nomeação "XPTO". Vindo de um responsável político, reforça a coisa. Ter sido proferido pelo líder da CGTP, confere um verdadeiro momento "XPTO".
Nem vou abordar o possível teor racista da coisa; é sabido que só as pessoas ideologicamente de direita é que fazem comentários racistas.
O "XPTO" da coisa é a forma jocosa e ofensiva que Carvalho da Silva usou para identificar um trabalhador! Sim, porque Selassie é um trabalhador, mesmo que o FMI seja o seu patronato. Não esperava isto do auto-intitulado defensor-mor dos trabalhadores.
«« a notícia: Carvalho da Silva »»

# FANTASMA DE PARDILHÓ - A designação foi absorvida numa peça da SIC. O caso é de uma criatura de 19 anos, morador em Pardilhó (lá para os lados de Aveiro), que numa noite de temporal resolveu vestir-se de fantasma (?), e assombrar duas mulheres: mãe e filha, de 80 e 40 anos, respectivamente. A diarreia mental não se ficou pelo jovem, que se fez acompanhar de sua namorada para filmar toda a acção fantasmagórica.
Não satisfeito, voltou a atacar as duas mulheres, desta vez, com tentativa de assalto e agressão consumada com arma branca. O jovem, conhecido lá pela terrinha pela ociosidade e violência, ficou submetido a apresentar-se 3 vezes por semana num posto da GNR. Nem sei se o "XPTO" pertence à justiça, se à energúmena criatura.
(para esta nomeação "XPTO", aconselho a ver o vídeo).
«« o vídeo/notícia: Fantasma de Pardilhó »» 


quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

O ÁLCOOL E AS PROFISSÕES

Não vou defender a deputada Glória Araújo, que foi detida por conduzir com 2,41 gr/l de taxa de alcoolemia.

Não vou atacar a deputada Glória Araújo, que foi detida por conduzir com 2,41 gr/l de taxa de alcoolemia.

Vou tentar, e apenas tentar, segundo o meu ponto de vista, analisar e reflectir sobre os factos.


Facto número 1: A cidadã  Glória Araújo violou a lei, de forma grave, pondo em perigo os demais utentes, ao conduzir sob o efeito de álcool e com uma taxa de álcool por litro de sangue bastante elevada;

Facto número 2: A cidadã Glória Araújo, por
ser deputada do parlamento nacional, por já ter integrado os trabalhos da Comissão Interparlamentar da Segurança Rodoviária, deveria ter tido precauções extra relativamente ao acto que praticou;

Facto número 3: A deputada Glória Araújo, antes de ser deputada, já era um ser humano, com todos os defeitos, virtudes, fraquezas ou valores que estão associados à condição humana;

Facto número 4: Nada nas notícias dadas pela comunicação social, levam a crer que a deputada Glória Araújo estava no exercício das suas funções;

Facto número 5: A comunicação social, por se tratar de uma parlamentar, rapidamente fez manchetes ou destacou a notícia, o acto ilícito da cidadã, também deputada, Glória Araújo;

Perante estes factos, o que questiono é o seguinte: 

E quando um taxista ou um motorista de um transporte público é detido pelo mesmo crime? Isso é notícia?
E quando um médico é detido pelo mesmo crime? Isso é notícia?
E quando um professor ou um educador de infância é detido pelo mesmo crime? Isso é notícia?
E quando um agente de autoridade é detido pelo mesmo crime? Isso é notícia?

Não colocando sequer a hipótese dos atrás descritos serem apanhados neste tipo de ilícito, durante, logo após, ou antes do exercício das suas práticas profissionais, mas parece-me que, são tão ou mais gravosos que o caso desta deputada. 

Também sei que nestes casos, nem a comunicação social acharia de interesse público, nem o espírito mesquinho (também condição humana que existe em todos nós) do comum cidadão seria satisfeito.

No que me diz respeito, antes a deputada do que a professora da minha filha, o meu médico, ou o maquinista do metro. Fico mais descansado.

Resta apenas esperar que a justiça entenda que o crime em causa é transversal a todas as profissões, géneros, raças ou nacionalidades, e que o trate de forma igual... e quanto a isso é que tenho sérias dúvidas. Mas isso já é outra questão, muito para além da deputada Glória Araújo.

Tudo isto, não deixa de ser mais um episódio "XPTO" das nossas terras lusas.

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

MANUAL DE SOBREVIVÊNCIA XPTO

A propósito da carga policial do dia 14 de Novembro junto da Assembleia da República, lembrei-me de alguns comportamentos XPTO, próprios da condição humana, e que poderão servir como manual de sobrevivência em algumas situações.

- Perante um acidente de viação na faixa contrária (principalmente em autoestradas) reduzir a velocidade, se possível parar, tirar algumas fotografias com o telemóvel e esquecer-se dos que seguem atrás;

- Numa situação de desacatos com violência em espaço público, encostar-se a uma parede, verificar se não é com ninguém conhecido, fazer uma curta-metragem com o smartphone e, em caso algum, utilizar o dito aparelho para chamar as autoridades;

- Ao ver um incêndio, aproximar-se o mais possível do local, munido de equipamento de registo de imagens, clamar meia dúzia de impropérios contra os bombeiros que pedem para respeitar a zona de segurança e terminar a acção convicto que tem imagens dignas de um repórter de guerra da CNN;

- Num jogo de futebol, sempre que as claques ou grupos de hooligans iniciam desacatos, colocar as mãos no bolsos, desviar a atenção do jogo para contemplar os actos dos referidos grupos e, em caso de possível carga policial, nunca abandonar o local, e gritar  filhos da "prostituta"... não interessa se dirigido à polícia, aos desordeiros ou à equipa de arbitragem;

- Sempre que um nadador-salvador pede a alguém que saia de dentro de água, largar a toalha, avançar na direcção do mesmo e reprimi-lo sobre a sua acção, utilizando um discurso sobre as liberdades individuais, sustentado numa série de argumentos dignos de um experiente pescador, marinheiro ou oceanógrafo;

- Em situações de temporais, andar sempre com telemóvel ou máquina de fotografar, ir para zonas ribeirinhas ou de prováveis cheias, ou tentar alcançar pontos altos para um visionamento global de tais fenómenos da natureza;

- Em qualquer concentração de massas, sempre que existem comportamentos ou atitudes nas quais não nos revemos, nunca abandonar o local, assistir passivamente aos acontecimentos e deixar claro que estamos lá para participar até ao fim;

terça-feira, 2 de outubro de 2012

FRAGRÂNCIA DO PENSAMENTO - Um momento XPTO parido na manifestação de 15 de Setembro


Na euforia e histerismo jornalístico da manifestação de 15 de Setembro, valeu um pouco de tudo.

Foram ruivas em estilo Jessica Rabbit a abraçar polícias, foram pessoas a relatarem a miséria das suas vidas com o seu belo iPhone de quinhentos euros na mão que se agitava perante as câmaras, foi o imolado que afinal não passou de uma má performance de um artista circense de má qualidade, entre outros episódios que a imprensa portuguesa insiste em catalogar de jornalismo e de interesse público.


Para culminar, a TVI (quem mais? Ok, podia ter sido Correio da Manhã) apresenta a história de Ricardo, com honras no noticiário.

Ricardo encontrou uma diva, com nome a condizer, Diana, francesa e loura. Ricardo, um jovem que apesar da austeridade, encontra o amor à primeira vista, a paixão, e até esquece tudo o que se passava em seu redor. A deusa Diana anunciou-lhe, ao estilo de Nossa Senhora de Fátima, que nada lhe diria a seu respeito, mas queria ser encontrada por Ricardo até dia 14, data em que regressaria a França. Ricardo inicia uma epopeia na busca dessa mulher perfeita, colocando cartazes, faixas e outras demandas camonianas por Lisboa, com a frase "À procura de Diana". 
As redes sociais encarregaram-se do resto e a história da busca de Ricardo tornou-se apreciada por quase 30.000 utilizadores de uma rede social.

Estava criado um ícone ao romantismo, reforçado e simbolizado por toda a história ter sido iniciada na luta da defesa dos direitos fundamentais e contra a austeridade.
Até o incauto repórter faz uma frase bonita, pensando tratar-se de jornalismo bombástico: "Neste momento não há austeridade no seu coração".

Verdade que alguns, desde cedo, manifestaram repúdio por este tipo de jornalismo, enquanto notícia, mas não deixaram de criar alguma empatia com o rapazolas, mas muitos mais elogiaram este tipo de peça "jornalística" como forma de acalentar esperança para um futuro melhor e esquecer as amarguras da vida real.

Eu, acreditem ou não, comentei algo do género: "Como é possível fazerem notícias destas? E o rapazinho se gastasse as energias e imaginação a produzir alguma coisa de útil para o país, fazia bem melhor". Mas isso sou eu que peco em demasia pela defesa do pragmatismo e da realidade, e que considero que o romantismo só o é verdadeiramente, quando praticado na esfera do domínio privado. Tudo o resto é exibicionismo. Mas isso sou eu que não conto para o totobola.

Agora, através da página da rede social que relatava o dia a dia do artista, anunciou-se ao mundo que Diana é o espírito e a heroína de «Catch Me», a nova fragrância da «Cacharel». 


Afinal, tudo não passou de um logro publicitário, suportado por alguma  imprensa. Fico eu na dúvida, se me permitem, se terá havido alguma contrapartida financeira para a imprensa que foi divulgando tão mui nobre história.

Leem-se agora impropérios, frases de revolta, desabafos de desilusão na página do facebook onde se procurava Diana. Pelo que tenho lido, aconselho Ricardo (ou qualquer que seja o seu nome) a aplicar a si próprio o destino que estava configurado para Diana: ir para França! A não ser que a «Cacharel» lhe tenho proporcionado um bom seguro de saúde.


Moral da história: mais uma vez, a opinião pública confunde-se com opinião publicada. A falta de discernimento em ajuizar algo pela própria cabeça, limitando-se a ser o eco da comunicação social em geral, das informações existentes na internet, do que se lê nas redes sociais, bastando para isso que esses factos sejam aprazíveis ao gosto pessoal, aos sonhos e à realidade paralela que gostariam de viver, infelizmente, é cada vez mais usual na nossa sociedade. E esta realidade aplica-se a todas as vertentes, não apenas a histórias de amor.

Mas ninguém está livre de ir no engodo; até os mais pragmáticos, realistas e calculistas.

Um momento XPTO parido na manifestação de 15 de Setembro.

PS: publicado no meu facebook em Agosto de 2011

"As redes sociais, para além de rede de contactos, meio de publicidade e de lazer (parte útil), também servem para o embrutecimento de alguns. A facilidade com que se propaga a mentira, o boato a falsa informação, apoiada em inúmeros "gosto" contribui para o tirocínio da estupidificação de muitos, tornando a arte de pensar em coisa rara."

sábado, 22 de setembro de 2012

POUPAR 4,5 MILHÕES DE MIGALHAS

É uma verdadeira migalha (aproximadamente 0,005% ) do valor total da despesa do orçamento de estado, mas não deixam de ser 4,5 milhões de euros.

Este é o valor (aproximado e, segundo dados oficiais do STAPE) pago pelo estado português como compensação financeira aos membros das mesas de voto dos actos eleitorais.

São cerca de 12.500 mesas de voto e 62.500 membros a terem uma compensação na ordem dos 75 euros.

Esta compensação resulta da Lei 22/99, de 21 de Abril.
Antes, os membros de mesa contribuíam, sem qualquer compensação financeira, para o mais nobre acto da democracia: o acto eleitoral.

O desempenho de funções de membro de mesa deve ser encarado como um contributo para a democracia, como um contributo cívico de cada um de nós.

É um acto individual de cidadania, tal como fazer greve ou participar numa manifestação.


Se e, segundo os números divulgados na imprensa, no passado dia 15 de Setembro houve cerca de um milhão de manifestantes que quiseram dar o seu contributo cívico para a democracia, penso que não será difícil arranjar 12.500 que queiram, de outra forma, contribuir para a mesma democracia.


Em todas as relações há o deve e o haver. Também nas relações entre o estado e a população existe essa relação. E se 0,001% da população portuguesa assim quiser, poupa-se 0,005% no orçamento de estado.

São migalhas, mas são 4,5 milhões de migalhas.


domingo, 2 de setembro de 2012

MARCELO REBELO DE SOUSA - O COMENTADOR XPTO


Marcelo volta a comentar o que não existe, com o ar de maior sabedoria do mundo, no seu monólogo semanal na TVI.

Sobre os jogos de apuramento das equipas portuguesas à fase de grupos das competições europeias de futebol, termina com: "(...) e a Académica cumpriu bem a sua missão."

Para quem já "matou" o general Norman Schwarzkopf em direto, esta nem foi das piores... entre muitas.

O comentador ideal para ouvir, concordar e não pensar... um comentador XPTO.

DESABAFO

Quase a entrar nos irreversíveis "entas" sinto-me cada vez mais elitista. Não pelo elitismo baseado no estrato social, económico ou profissional, mas pelo elitismo de comportamento cívico e civilizado, onde a boçalidade seja inócua. São as hordas esquálidas que reinam e proliferam neste nosso Portugal que me fazem sentir assim.